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Isso eu tiro de letra: depoimento da diretora Rosangela Silva #Diadamulher

08/03/2018
Notícias
Institucional

Eu terminei o ensino médio aos 18 anos e tentado vestibular para o curso de Direito na Universidade Federal de Rondônia, mas não fui aprovada. Comecei a trabalhar logo em seguida, como a maioria das jovens vindas de famílias que batalham pela sobrevivência. Meus pais sempre trabalharam duro e nunca nos faltou o necessário, mas já era hora de começar a fazer minha parte. Comecei como secretária numa clínica de Psicologia. Sempre gostei muito de ler e isso sempre me ajudou. Após um ano como secretária nesta clínica fui convidada a trabalhar na Secretária Municipal de Saúde, onde também atuaria como secretária dos chefes daquele setor. Isso aos 19 anos, mesmo tão jovem eu desenvolvia uma atividade de muita responsabilidade e tinha contato com pessoas bem informadas o tempo todo. Talvez, por me envolver nesse universo da saúde pública, mesmo que administrativamente, tenha me despertado um novo interesse.

 

No ano seguinte, mudei de opção e comecei a estudar para o vestibular de Enfermagem. No entanto, não cheguei a fazer o vestibular. Pois, no fim do ano, eu completaria 20 anos e estava grávida! Era meu primeiro namoro. A gravidez foi um susto para mim e para o meu namorado, que ainda estudante do ensino médio, pois era 2 anos mais novo que eu. Se para nós foi assustador, para os meus pais foi muito decepcionante. Meu pai era extremamente conservador e machista, ter uma filha solteira seria o pior pesadelo dele. Mas, o que poderia ter sido uma "tragédia", tornou-se minha mola propulsora.

 

Eu sempre soube que a educação era melhor caminho para o crescimento e para a evolução humana. Não só pelo ponto de vista econômico. Através do ensino superior podemos buscar destaque e colocação no mercado de trabalho. Isso dá vantagem competitiva em relação aos que não possuem uma graduação. Mas, mais do que isso, a educação é um valor em si! Ela nos traz a clareza da nossa condição humana, do quanto podemos fazer em prol do outro, do quanto podemos usar nossos conhecimentos para criar, transformar, evoluir. Podemos agir ao invés de esperar acontecer.

 

Sendo mãe aos 20 anos achei que tudo isso não seria possível. Eu e o pai da minha filha decidimos não nos casar, pois ele também iniciaria seu curso de medicina fora do país no ano seguinte. Então, fui mãe solteira. Já em 2001, quando entrei no Athenas Grupo Educacional, que ainda não era o Grupo, mas apenas a Faculdade de Pimenta Bueno, comecei a trabalhar como secretária acadêmica, fiz minha graduação em Administração na Faculdade Pimenta Bueno. Em seguida, fiz pós-graduação. Aí passei por vários setores na faculdade, além da secretaria, trabalhei como secretária de extensão, de pós-graduação, fui assistente da presidência, pesquisadora institucional, que era a pessoa que fazia interlocução Instituição de Ensino Superior X Ministério da Educação.

 

Em 2004, quando os sócios do Athenas começaram a expansão das faculdades, começando por Rolim de Moura com a Faculdade São Paulo e em Cáceres com a Fapan, fui convidada a fazer parte da equipe que atuaria nos processos de credenciamento das instituições e autorizações dos cursos. Após a implantação destas duas faculdades, veio a Fameta que fica em Rio Branco - AC.

 

Em 2009, houve uma estruturação no setor de Desenvolvimento Institucional, que hoje chamado é Regulação. Eu era a líder da equipe, que contava com 4 colaboradores. Mais tarde, em 2011, eu e outros colegas do grupo iniciamos o mestrado em Administração na Fead, em Belo Horizonte – MG. No final de 2012, concluímos o curso e então veio um novo desafio: o de ser docente. Engraçado que quando eu era criança e me perguntavam o que eu iria ser quando crescer, eu dizia: professora! Nunca na fase adulta havia pensado em ser de fato professora, até que surgiu o desafio e eu encarei. Fui dar aulas na graduação e em cursos de pós-graduação.

 

Já morando em Ji-Paraná, no final do ano de 2012, pois os sócios haviam comprado a Unijipa em 2011 e transferido o escritório do Athenas para a cidade naquele mesmo ano, recebi do Prof. Aécio o convite para assumir a direção da instituição. Eu, que havia iniciado aos 22 anos, sem graduação, agora era mestre, professora do ensino superior e diretora da faculdade que mais cresceria nos anos seguintes. Em 2012 a Unijipa funcionava com 3 cursos: Administração, Ciências Contábeis e Pedagogia e tinha pouco mais de 400 alunos. Hoje são 13 cursos em funcionamento e estamos chegando aos 2.000 alunos na graduação, mais de 300 alunos nos cursos de Especialização Lato Sensu, 35 colaboradores administrativos e 82 professores.

 

Quando falei que minha tragédia de ser mãe, sem estar casada, sem formação superior aos 20 anos, foi minha mola propulsora, me referi a tudo que busquei para me transformar. Eu não queria ser mais uma pobre moça solteira com uma filha para criar. Eu queria ser o exemplo de mulher que vai à luta, que batalha, que busca, que se transforma a cada novo desafio e que transpõe os obstáculos. Sem falsa modéstia, meu sinônimo poderia ser resiliência. As adversidades, as decepções, as desilusões só me fortalecem e fazem querer crescer mais, profissionalmente, espiritualmente e humanamente.

 

Trabalho pela transformação na vida das pessoas através da educação e tenho muito orgulho de estar onde estou, trabalhar com quem trabalho e, mais ainda, sou muito grata aos meus empregadores (líderes, chefes, patrões não sei qual palavra os define melhor). Que, aliás, são algumas das pessoas mais incríveis e humanas que conheço na vida, Dr. Hildon, Drª Ieda e Prof. Dr. Aécio. Que sempre acreditaram em mim, me desafiaram, me instigaram e me dão todos os dias mais e mais motivos para sentir prazer em trabalhar no Athenas.

 

A força motriz da minha vida é a vontade de dar sempre o meu melhor e ser o que eu posso de melhor enquanto mãe, filha, amiga, parceira, colaboradora e líder!

 

Rosangela Silva, diretora da Unijipa

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